quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Rotina: ’’Caos’’ e comércio no terminal de Integração do São Cristóvão

“Olha o bombom, olha o bombom de chocolate, é uma delícia e tem de diversos sabores, de uva, coco, cupuaçu, brigadeiro, bacuri, morango você vai gostar”.
”Isso é um absurdo, ninguém respeita a fila, ei minha filha, não fura não, tá pensando o quê, eu também tô cansada bonitona...”.
São aproximadamente 19:00 horas, o movimento é muito grande, há um constante entra e sai de pessoas, algumas delas gritam e reclamam das filas gigantesca, outras indiferentes, lancham, olham e compram dvds piratas, sandálias, bombons, doces, cocadas etc.
No terminal de Integração do São Cristóvão, se vê de tudo, e de tudo vende.
A bagunça é generalizada, ninguém respeita as filas e o pior acontece quando chega o ônibus, as pessoas não esperam as outras descerem, querem passar uma por cima das outras, não se importando com as crianças, com os idosos, com os convalescentes e com as mulheres grávidas e tudo isso por que? Por causa de um assento desconfortável em um ônibus velho?
Uma senhora, de expressão frágil, cabelos grisalhos e de olhar triste se move lentamente em direção á multidão esmagadora, tenta passar e entrar no ônibus, mas é jogada de lado como se fosse um saco de batatas sem valor, sem respeito e dignidade, tendo ainda que ouvir: “Só porque tu é velha, acha que vai passar na minha frente?”
Para aumentar a bagunça, um centro comercial se instala ali, as pessoas se amontoam para comprar, bolsas, sandálias, lanches, bombons e dvds piratas. Os vendedores gritam, chamam: “olha aqui ó neném. Tem todo tipo de filme que você imagina e é baratinho, só dois real”.
Crianças, adultas e idosas, com cestas cheias de bombons passam oferecendo, quase implorando, insistindo, para que as pessoas comprem ao menos um: “Senhora estou aqui vendendo estes deliciosos bombons de chocolate, custa apenas um real, sou eu que faço e tem de diversos sabores, garanto que são deliciosos”.
Dentro desse contexto, lembro-me de duas senhoras, uma de aparência austera e um porte elegante, a outra parecia ser bem simples e trazia consigo um leve sorriso, mas dentro de seus olhos havias uma tristeza tocante. Ambas sentadas em um banco da integração. Uma tinha em suas mãos uma cesta com doce de leite, que ainda estava cheia, a outra vendia bombons de chocolate, as duas não saiam de lá para nada, tinham medo de perder o seu ponto de venda, para outros que circulavam com bombons, cremosinho etc.
Ao fim da observação, percebo que o nosso Estado tem uma triste realidade, onde falta emprego, respeito entre as pessoas, condições decentes de vida para a nossa gente e o principal, a consciência. Essa que não toca os nossos governantes, que não fazem nada par melhorar a situação de miséria do povo.



2 comentários:

Ricardo Santos disse...

Boa!
E aí menina, vc sacou o lance de blogueira mesmoooooo
Abraços, to com sauades sua!

Liliam Freitas disse...

A conclusão é boa. Tem a Miséria de quem viver nela e na de quem vive sobre ela!

Conheço o terminal, acho que todo mundo. Também já vi incontáveis matérias, e olha que já foram veículos de comunicação da envergadura do O Estado do Maranhão, O Imparcial e por aí vai. A situação não continua a mesma, ela piora.

O terminal já começou mal projetado, foi pequeno. Ele reduz de tamanho com o comercial informal lá dentro. Claro que deve rolar uma propina para aqueles vendedores estarem lá. Ah, e aí tem a má-educação travestida de pressa