quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Diploma Jornalístico.

O que é preciso para ser um bom jornalista de fato? Há algum tempo a resposta seria simples, bastaria ter talento, vocação, esforço e cursado jornalismo durante quatro anos em alguma instituição de ensino superior. Mas recentemente os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) derrubaram a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.

O Presidente do STF e relator do caso, Gilmar Mendes defendeu a extinção da obrigatoriedade do diploma do diploma, alegando que os jornalistas coíbem a livre expressão, o que fere os princípios democráticos da liberdade de expressão e que a profissão de jornalista não oferece perigo de dano á coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia, etc., o que implica a detenção de um diploma para o exercício da profissão.
Já o Ministro Marco Aurélio Mello, único que votou pela manutenção do diploma, alega que o jornalismo é uma profissão tão importante como qualquer uma outra.

Assim por 8/1, ficamos sem diploma e sem um rumo certo para profissão.

Contradições.

Muitas contradições cercam a queda do diploma. Uma delas é o fato de que a categoria jornalística sempre sair em defesa de outras áreas de trabalho nos meios de comunicação, divulgando notícias e fazendo grandes reportagens, mas quando a sua própria profissão foi colocada em xeque, não houve manifestações públicas ou greves. Ficou bastante claro a acomodação da categoria, o próprio sindicato nada fez e assim o papel de informar e alertar a população sobre o que acontece na sociedade agora pode ser divulgado por qualquer um, que talvez não se preocupe com a veracidade dos fatos e com a responsabilidade social que vem junto com as notícias.

Explicações.

Segundo o Professor Francisco Gonçalves, chefe do departamento de comunicação social da UFMA, a queda do diploma se deu pela incompreensão da atividade jornalística pelos ministros do STF ( superior tribunal Federa), que simplesmente generalização a profissão, sem analisar sua importância na sociedade.
Já o jornalista Kim Lopes afirma que o jornalismo é um poder paralelo e como ele tem a capacidade derrubar os poderosos da política o que incomoda bastante, então seria mais conveniente para todos, que os profissionais da comunicação não tivessem uma formação crítica o suficiente para mostrar o que realmente acontece em nosso país.
O que há na realidade é o medo que assombra boa parte dos políticos, que não querem seus nomes divulgados nos vários escândalos que os mesmos se metem , ou seja, não querem que suas falcatruas sejam denunciadas e com uma classe jornalística com bases acadêmicas fortalecidas tem mais discernimento dos acontecimento isso fica mais explicito. E há também uma desvalorização da profissão por parte das várias empresas de comunicação que querem pagar menos e fazer com que o funcionários trabalhem mais (já que o movimento contra o diploma partiu de uma empresa, cujo jornal tem grande circulação em todo Brasil, especialmente nos pólos sul e sudeste). Visto inclusive a contratação de vários estagiários dentro das redações, o que é uma economia para as empresas , pois esses estudantes trabalham como profissionais e ganham bem menos. Assim há mais estagiários do que jornalistas formados dentro das empresas de comunicação.
Maranhão.
No Maranhão a não obrigatoriedade do diploma não fez muita diferença, já que há muito tempo várias pessoas não formadas trabalham diretamente com as informações nas empresas de comunicação.
A jornalista Joice Borges diz: “Eu acho que aqui no Maranhão, a decisão do STF em nada irá interferir, já que a maioria das pessoas que trabalham coma imprensa não tem diploma, alguns até têm, mais são poucos”. Então por aqui não fará nenhuma diferença.
O jornalista Kim Lopes afirma: “conheço muitos donos de empresa de comunicação, que muitas vezes não estão preocupados com o conteúdo do seu funcionário. Às vezes o valor pago a ele é o mais importante”.
Ele ainda salienta: “muitas vezes é quando do se vai contratar uma apresentadora, preocupa-se mais com a estampa do que em saber se ela tem jeito ou não para a função, se ela esta ou não preparada, sendo que a resposta sempre é a mesma: televisão depende muito de beleza”. Sou muito contrario a isso, pois acredito que a credibilidade e o conteúdo devem vir primeiro lugar.
Sem poder com um sindicato atuante, a categoria jornalística maranhense, cada vez mais perde o seu valor, já que o órgão que serviria para averiguar as irregularidades dentro das empresas, compactua com o sucateamento de sua própria categoria deixando com que profissionais formados e competentes sejam substituídos por rostos bonitos e, que na maioria das vezes não tem conteúdo algum.
Assim não se sabe exatamente o que prever para o futuro da categoria jornalística, agora basta olhar para frente e esperar que a credibilidade e a competência dos profissionais sejam aspectos que fortaleçam a profissão.

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