quarta-feira, 15 de junho de 2011

A mídia e o Dia dos Namorados: enclausuramento de um amor ideal?

Este post é de autoria de uma jornlista que admiro muito, espero que gostem!

Josie Bastos
Jornalista e mestranda em Cultura e Sociedade pela UFMA

O Dia dos Namorados é comemorado em diferentes datas no mundo. No Brasil, a comemoração se dá em 12 de junho, mas nos Estados Unidos, Itália e Canadá, por exemplo, é quase quatro meses antes, 14 de fevereiro. Os meios de comunicação, em especial a TV, um veículo popular com grande capacidade em reproduzir e produzir representações, papéis e comportamentos dos indivíduos na sociedade, preenche a programação com reportagens especiais e matérias jornalísticas sobre histórias de vida de casais apaixonados (do mesmo sexo ou não), amor precoce, na terceira idade e até sobre os perigos da solidão, de uma sensação profunda de tristeza, que segundo os especialistas pode levar ao surgimento até de doenças. Depois de t anta “informação” parece uma coisa de outro mundo quando neste período vemos alguém passeando sozinho, no restaurante, no barzinho, na livraria, fazendo qualquer coisa que não acompanhando. Pura fantasia midiática e tem até um nome: “ficção totalitária”. O temo é usado por Kelh (2004) no livro Videologias para mostrar como que a imagem jornalística e mesmo a informação mais essencial na sociedade do espetáculo (Debord, 1997) tem o caráter de mercadoria. “O poder de transmissão de imagens ... consolidou uma espécie de ficção totalitária que articula jornalismo, entretenimento e publicidade numa mesma seqüência ininterrupta de imagens, regidas pelas leis da concorrência comercial entre os canais.” (Kelh, 2004, pg.156). Diante desta análise poderíamos então chegar a uma conclusão: não há nada que obrigue o espetáculo a ser fiel à realidade social.
Eu vou fazer justamente o contrário. E se a TV comercial mostrasse que a necessidade do outro para alcançar a felicidade plena não seria resultado de uma construção discursiva que legitima a existência de um amor desequilibrado entre os sujeitos? Impossível para quem sobrevive da publicidade. Mas o intuito deste texto não fazer uma análise critica do papel da mídia eletrônica. Apenas para mostrar que na realidade estas relações sociais de gênero podem determinar papéis e comportamentos carregados de expectativas sobre o amor romântico e da intimidade, criando uma série de códigos de conduta, direitos e deveres. Uma ideologia que pode re velar, em casos extremos, o caráter opressivo e de sujeição dos indivíduos aos seus parceiros. Entre homens e mulheres estas relações se dão muitas as vezes de maneira hierarquizante onde ainda o feminino é sinônimo de vulnerabilidade, sensibilidade, sendo que o amor é apontado à mulher como uma suprema vocação e que os valores que orientam a vida conjugal e familiar estabelecem um território de plena realização pessoal. Quem esta fora deste paradigma institucional rompe com um modelo construído historicamente. O que eu me proponho aqui não é fazer uma política a favor da separação ou do extermínio das relações conjugais. Pelo contrário. Como jornalista, pretendo apenas abrir um espaço para refletir sobre os discursos genderizados do amor ideal. Não seria ele também um produto social que nem sempre se constitui com base numa postura de livre arbítrio, mas de uma padronização compulsória carregada de assimetrias à vida social e privada? Pense m nisso.

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